Eu sou o amor que me fez nascer,
a inocência que esqueci
e a beleza que conquistei ao sofrer.

Eu estou no ódio que sinto…
Eu sou a pedra que me acerta
sem compreender que sou eu que a atiro.

Eu sopro no vento que em mim sopra.
Refresco a face e enlaço os cabelos,
quando comigo brinco.

Eu sou o caracol que piso
quando caminho sob os meus pés
nas noites de Verão.

Eu sou o alimento que digiro
e a água que bebo.

Eu sou aquele que mata
para me comer.

Eu sou a luz que rasga o negro do céu
e a noite que adormece as vagas do mar.

Eu estou contigo no pior dos teus medos
e vivo contigo a minha solidão.

Tu és o espelho da minha aparência e o riso da minha voz

Tu revelas-me a pessoa que nunca deixei crescer

Tu és o rosto que me visita sem perguntar se é bem-vindo

Eu sou o bom e o mau do que em ti pressinto

Tu e eu, isto e aquilo,
somos a irmandade do que aqui existe.

Lídia Monteiro

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